A iniciativa coloca o produto paulista em um patamar equivalente ao de produtores internacionais, abrindo uma nova fase de competitividade nos mercados interno e externo, além de beneficiar o produtor em termos de segurança alimentar, maneiras mais adequadas de produção e maior retorno financeiro, e o consumidor, com o aumento da qualidade do produto a que terá acesso.
A secretaria, instituição criadora do Grupo do Trabalho em que começaram os estudos que resultaram na criação do selo, tem o apoio da Codeagro – Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios. “Participar da normatização desde o início favoreceu conhecer todos os detalhes do processo e identificar os possíveis pontos críticos”, diz a auditora Bernadete Araújo, representante da Vanzolini no projeto.
De adesão voluntária, o Selo de Qualidade da Pecuária Bovina de Corte, é concedido, na prática, com base no cumprimento de requisitos propostos em uma norma de mesmo nome, que passa a integrar o
Programa Risco Sanitário Zero.
Segundo Bernadete, a norma visa à certificação das unidades de produção de bovinos e integra o Sistema de Qualidade de Produtos Agrícolas, Pecuários e Agroindustriais criado pelo governo de São Paulo por meio da Lei n° 10.481.
De acordo com essa diretriz, para obtenção do selo, o produtor deve alinhar-se a regras que acompanharão a produção desde a fase anterior ao nascimento até a saída do animal na unidade, envolvendo a gestão da produção, da saúde e do bem-estar animal, gestão de pessoas e ambiental.
Com relação às auditorias, Bernadete salienta que nessa parte do processo serão verificados procedimentos implantados pelo produtor nos controles dos pontos críticos e nos procedimentos exigidos. “Tudo isso para garantir com confiança as boas práticas exigidas para as atividades de uma unidade de produção bovina”, relata.
Incentivo à participação dos menores produtores
O secretário geral das Câmaras Setoriais da Codeagro, Nelson Pedro Staudt, acrescenta que com a criação do selo, o estado de São Paulo está atestando sua capacidade em dar respostas rápidas para a solução de problemas como doenças do gado, além de ter melhor controle de gestão. “É uma forma de mostrar isso para todo o país, para o Ministério da Agricultura e até mesmo para o exterior”, afirma.
Ninguém duvida dos ganhos para o setor que o selo vai proporcionar, mas esse tipo de iniciativa representa um desafio ainda maior para pequenos e médios produtores, quando se deparam, por exemplo, com a necessidade de realizar modificações na propriedade para se adequar aos requisitos da norma. No entanto, o secretário adianta um projeto de incentivo para essa parcela de produtores. “A Secretaria de Agricultura do estado de São Paulo até o início do próximo ano lançará uma linha de crédito operada pelo Banco do Brasil que beneficiará os produtores na adequação à norma. Com juros de 3% ao ano e até 2 anos de carência, queremos atender os pequenos e médios ajudando-os a fortalecer uma pecuária de melhor qualidade em todo o estado”.